Trocar de carro, comprar a casa própria para sair do aluguel ou mesmo adquirir um segundo imóvel são tarefas que exigem planejamento e boas decisões financeiras principalmente na hora de escolher o modelo de pagamento. A verdade é que, para decidir isso, você deve conhecer as características e diferenças de cada um, e ver o que faz sentido para a sua realidade. Ao final, você poderá aproveitar as vantagens da opção que melhor se adequa a sua situação.

Veja abaixo como funcionam o consórcio e o financiamento e descubra qual pode ser o melhor para a sua realidade!

Quais são as principais qualidades do consórcio?

O consórcio é uma modalidade de aquisição na qual você se une a outras pessoas com os mesmos interesses. Mensalmente, todos pagam uma parcela que depende do valor da carta de crédito e da duração do grupo.

Nas assembleias ocorrem sorteios dos números de cotas de consórcio. Quem for escolhido e estiver com os pagamentos em dia passa a ter a cota contemplada e fica liberado para usar sua carta de crédito na aquisição do bem desejado. Para ser contemplado, também é possível dar lances (fixos, livres ou embutidos) e, assim, aumentar as chances. Todos — mesmo aqueles que tiveram suas cotas contempladas — devem continuar o pagamento até o final do grupo.

Com essas características, já há como ter uma ideia dos pontos principais. Além delas, outros pontos são igualmente interessantes. Confira!

Economia colaborativa
Um dos pilares do consórcio é a economia colaborativa. Afinal, trata-se de uma modalidade que inclui a participação de diversos interessados em um grupo. Os integrantes têm interesse em adquirir o mesmo bem, com um valor de carta de crédito semelhante e dentro de um período em comum.

Cada um paga uma parcela mensal e a cada assembleia ocorrem sorteios e contemplações. Ao final, o objetivo é que todos terminem com o bem de interesse.

Compra planejada
Outro ponto importante é que o consórcio permite que você faça uma compra planejada. Para quem não tem disciplina para juntar dinheiro todo mês, por exemplo, é possível aproveitar o caráter obrigatório do pagamento mensal. Assim, pode ajustar seu planejamento financeiro para conquistar o bem de interesse.

Dependendo do caso, recorrer ao consórcio pode até ajudar a mudar sua relação com o dinheiro. Dessa maneira, você passa a ter mais controle sobre as finanças e pode passar a poupar para realizar sonhos.

Taxa de juros vs. taxa de administração
No consórcio, diferentemente do que acontece com o financiamento, você não precisa pagar taxa de juros. Na verdade, o principal custo é a taxa de administração, que é dividida ao longo de todas as parcelas e que corresponde a uma porcentagem da carta de crédito.

Pensando na média de mercado, é comum encontrar valores de taxa de administração que vão de 10 a 25% do valor do bem. Para comparar com a taxa de juros de um financiamento, tentamos trazer um modelo de comparação de custos ao longo deste artigo.

Flexibilidade de escolha na aquisição do bem
Quando você é contemplado no consórcio, pode usar a carta de crédito para fazer a aquisição de qualquer bem, desde que dentro das regras do tipo de bem daquele grupo de consórcio. Por exemplo, se deseja comprar um automóvel, por mais que o seu consórcio seja referenciado em um modelo e marca específicos, você poderá adquirir automóveis de outras marcas e modelos também. No final do dia, após a contemplação, você terá uma carta de crédito para a compra de quaisquer automóveis.

Dessa forma, caso ainda não tenha escolhido o bem de interesse, você pode postergar essa escolha para após a contemplação, quando for usar de fato a carta de crédito.

E quais são as características do financiamento?

Ao pensar na relação consórcio vs. financiamento, convém entender que esse segundo modo de realizar a compra tem algumas diferenças importantes. Confira!

Exigência de entrada
Na maioria dos casos, essa forma de pagamento não prevê o financiamento do valor total do bem. Em alguns cenários, é possível financiar apenas 50% do bem e, em outros, a faixa varia de 60 a 90%.

Como consequência, é preciso ter um valor previamente acumulado para oferecer de entrada. Quanto mais caro for o bem de interesse, maior será o valor da entrada.

Uso imediato do bem
Por outro lado, o financiamento apresenta a possibilidade de usar o bem imediatamente. Uma vez que a compra seja realizada e que as condições sejam atendidas, ocorre a aquisição e você pode utilizar o imóvel ou automóvel.

Porém, note que é preciso atender a toda a burocracia, o que envolve a análise de toda a documentação, a liberação do crédito e a regularização da documentação, assim como quando for utilizar a carta de crédito de um grupo de consórcio após a contemplação.

Afinal, qual a alternativa mais barata?

A principal diferença no custo das duas modalidades é que, enquanto o financiamento conta com juros, o consórcio conta com a taxa de administração. Para compará-los, uma conta simples seria contrastar a taxa de juros do financiamento com a taxa de administração mensal do consórcio. Por exemplo, uma taxa de administração de 15% por um período de 72 meses, seria igual a uma taxa de administração mensal de 0,2%. Se compararmos com o custo efetivo total (CET) de um financiamento de veículos em torno de 1,5%, concluiríamos rapidamente que o consórcio é sem sombra de dúvida muito mais vantajoso, correto? Talvez, mas não necessariamente.

Na verdade, essa conta só é verdadeira se você for contemplado, isto é, tiver direito a comprar o bem na primeira assembleia do seu grupo de consórcio, caso contrário, não estará comparando coisas iguais. Isso acontece porque no financiamento você tem direito ao bem imediatamente, enquanto no consórcio você só tem direito ao bem após a contemplação, que é incerta.

Se você for contemplado na primeira assembleia, a conta acima pode ser realizada, pois assim como no financiamento, você teve acesso ao bem no primeiro mês do consórcio. No entanto, se você for contemplado na última assembleia, você na verdade apenas usou o consórcio para poupar dinheiro e precisou arcar com a taxa de administração sobre esse valor.

Dito isso, uma variável importante para definir se o consórcio é melhor do que o financiamento do ponto de vista de custo financeiro é a data estimada para a contemplação. Outras variáveis importantes na comparação são a taxa de administração do consórcio, o prazo do grupo e o custo efetivo total (CET) de um financiamento comparável.

Para fins de exercício, vamos considerar um custo de financiamento de veículos de 1,5% ao mês (esse custo inclui não só a taxa de juros, mas IOF e outras taxas que são cobradas no contrato).

Analisando na prática


Exemplo 1
Valor do bem = R$50.000,00
Taxa de administração do consórcio = 15%
Prazo do grupo de consórcio = 72 meses
Data da contemplação por sorteio = 12º mês

Nesse cenário, o participante está em um consórcio cujo plano (valor do bem mais a taxa de administração) totaliza R$57.500,00. Portanto, para um prazo de 72 meses, o valor da parcela mensal seria de R$798,61.

Vamos supor que esse mesmo consorciado, que foi contemplado por sorteio no 12º mês, tivesse juntado por esse período o mesmo valor de parcela mensal e aplicado em um fundo com rendimento de 2% a.a.

Ao final do 12º mês, teria acumulado R$9.670,87 (19% do valor do bem desejado). Se então, ele usasse esse dinheiro para dar entrada em um financiamento e financiasse a diferença de R$40.329,13 em 60 meses (prazo restante comparado ao consórcio), ele pagaria uma parcela mensal de R$1.024,09, mais alta que o consórcio.

Sendo assim, o consórcio teria sido uma alternativa melhor que o financiamento.

Exemplo 2
Valor do bem = R$50.000,00
Taxa de administração do consórcio = 15%
Prazo do grupo de consórcio = 72 meses
Data da contemplação por sorteio = 48º mês

Agora, vamos supor um cenário parecido com o anterior, com parcelas mensais de R$798,61. No entanto, o consorciado consegue a contemplação por sorteio apenas no 48º mês.

Nesse cenário, a alternativa do consorciado teria sido juntar essas parcelas por 48 meses e aplicá-las a um rendimento de 2% a.a., o que lhe resultaria em um valor poupado de R$39.859,52 (80% do valor do bem).

Usando esse montante como entrada e financiando o restante de R$10.140,48 no prazo de mais 24 meses, a parcela mensal seria de R$506,25.

Neste caso, financiamento teria sido mais vantajoso que o consórcio.

A análise desses dois exemplos nos indica que um mesmo consórcio, com mesmos valores, taxas e prazos, pode ter resultados diferentes se comparado a um financiamento, dependendo da data em que ocorrer a contemplação.

Para os exemplos acima, criamos uma tabela que demonstra em qual prazo deveria ocorrer a contemplação para que o consórcio fosse uma alternativa mais vantajosa que o financiamento. Agregamos também diferentes taxas de administração e prazos para ver como ele se comporta.

Tabela 1: máximo mês necessário para contemplação onde o consórcio é a alternativa mais vantajosa

Para facilitar a análise, olhamos os mesmos números da tabela acima, mas agora em relação ao prazo do grupo, isto é, antes de qual percentual de andamento do grupo a contemplação deveria ocorrer para que o consórcio fosse a alternativa mais vantajosa.

Tabela 2: percentual de evolução máxima do grupo até a contemplação onde o consórcio é a alternativa mais vantajosa

Portanto, se a contemplação ocorresse em média até 40% do prazo do grupo, o consórcio teria sido uma solução mais vantajosa que o financiamento nesse exemplo.

Note, entretanto, que cada consórcio dará origem a uma tabela e a resultados diferentes, por conta do prazo e da taxa de administração. Igualmente, os financiamentos variam com a análise de crédito de cada um, mas os exemplos acima ajudam a ter uma ideia geral.

Além de tudo, para fazer a comparação com o financiamento, o exemplo considera que o indivíduo seria capaz de poupar mensalmente o mesmo valor que teria pago nas parcelas do consórcio, o que nem sempre é verdade. Sabemos que uma das grandes vantagens do consórcio é criar a disciplina de poupar através da necessidade de se pagar as parcelas. Se no exemplo acima, o indivíduo não tivesse tido a mesma disciplina do consórcio para juntar a entrada do financiamento, com certeza o consórcio teria sido mais facilmente a alternativa mais vantajosa para ele.

Consórcio vs. financiamento: qual escolher?

Como você viu, o consórcio e o financiamento podem servir para adquirir o mesmo bem (como uma casa ou um carro), mas são bem diferentes. São exatamente essas distinções que auxiliam a definir qual é a melhor alternativa para a sua realidade.